terça-feira, 4 de outubro de 2011

Você sabe quanto custa um deputado federal por mês?

Provavelmente, não. Eu também não sabia até pouco tempo atrás, mas já tinha idéia de que pagamos muito. Só não imaginava que fosse tanto. Quer ver? Vamos usar como exemplo os deputados federais.
verba de gabinete deles é de R$60.000, para gastar com material de escritório e até 25 assessores. Tem também a verba indenizatória, no valor de R$15.000, a serem gastos com gasolina, comida, hospedagem e consultorias. Consultoria, neste caso, é qualquer coisa que o deputado resolva denominar como tal. Se quiser contratar alguém para lhe orientar a melhor maneira de pentear o cabelo e lixar as unhas, está valendo. 



Como salário cada deputado federal ganhava em 2010  R$16.512,09mensais e em 2011 já passou de  R$26.700 mensais . Isso fora o décimo-terceiro, décimo-quarto e… décimo-quinto! Já é um salário consideravelmente alto, ainda mais com todos estes pagamentos “extras”. Mas esse valor é baixo se comparado a outros que nós pagamos aos nossos funcionários federais. Vejamos:
auxílio moradia, para aluguel de imóveis para morar durante os dias que passam em Brasília, é de R$3.000,00. Mesmo que o parlamentar já resida em Brasília, recebe o benefício. Some-se a isso mais R$4.000,00 de cota postal e telefônica. Haja sedex e DDD! E como todo deputado deve se manter informado, há uma verba de R$1.000,00 para impressões e assinaturas de jornais e revistas.
de R$ 9.000,00 para gastar com passagens aéreas. Essa verba é usada se o deputado for a uma convenção partidária em outra cidade, por exemplo. Mas também pode ser usada pra ir visitar aquela amiga que não vê faz tempo e que mora no Amapá. Afinal, eles não precisam justificar o uso dessa verba para ninguém. E como saúde é o bem mais importante de qualquer pessoa, os deputados e suas famílias podem pedir reembolsos ilimitados com médicos e dentistas. Na média, em 2009, foram R$8.000 por deputado.
Somando-se todos esses valores, um único deputado federal custa R$ 166.512,09 por mês. Como são 513 deputados, o valor total chega ao número obsceno de R$85.420.702,17 mensais. Recuso-me a fazer a conta do gasto anual. Prefiro assistir a um filme de terror; o susto é menor.
Voltando à analogia da empresa: se um funcionário não apresenta um desempenho que justifique o seu salário, seja ele alto ou baixo, é demitido e substituído por outro. Novamente, lembro: deputados são os funcionários. Nós somos os patrões. Você está confortável com o dinheiro que está pagando pelo seu subordinado?
Não é preciso ser nenhum gênio da engenharia financeira para perceber que muitos desses gastos podem ser cortados facilmente. O salário é altíssimo. O Brasil paga um dos maiores salários do mundo aos seus deputados federais. A verba de gabinete é astronômica e nenhum país desenvolvido permite que um político tenha o absurdo número de 25 assessores. A verba indenizatória, que inclui consultorias, é abrangente demais. 
Em um mundo ideal, haveria um regulamento especificando com exatidão o que pode ser considerado consultoria. Auxílio-moradia para quem já mora em Brasília é uma verdadeira piada. Quanto à verba para cota postal e telefônica, deveria ser incluída na verba do gabinete. Quanto a impressões e assinaturas de publicações, o deputado que banque este valor do seu próprio bolso. Julgar desnecessária a justificativa para se usar a verba de passagem aéreas é mais uma piada. 
E gastos com médicos e dentistas usando verba pública deveriam ser proibidos. Eles que paguem seus médicos do próprio bolso, como nós o fazemos, ou procurem atendimento no SUS.
Resumindo, esses gastos são mais do que uma farra, são uma afronta com a qual qualquer cidadão deveria se sentir indignado. Como disse outro dia o jornalista Augusto Nunes no Twitter: com a diferença entre o salário dos deputados e o salário mínimo, poderíamos comprar 3.022 potes de óleo de peroba. Imagine quantos mais se poderiam comprar contando os benefícios…
Com informações da Super Interessante.
(Valores de maio / 2010, fonte: ONG Transparência Brasil, extraído da Revista Superinteressante, edição 281 de Agosto/2010, 46-47.)